Resposta curta: o medicamento mais usado para refluxo, o inibidor de bomba de prótons, reduz a produção de ácido no estômago. Ele não fecha a válvula entre o esôfago e o estômago nem corrige uma hérnia de hiato. Quando a causa é mecânica, ele alivia o sintoma sem tratar o problema. A cirurgia entra quando existe falha desse tratamento, dependência de dose crescente, complicação já instalada ou sintoma que o remédio não alcança.
O que o remédio faz e o que ele não faz
Na junção entre o esôfago e o estômago existe um mecanismo de válvula. Quando ele falha, o conteúdo do estômago sobe. Esse conteúdo é ácido, mas também tem enzimas e, às vezes, bile.
O inibidor de bomba de prótons deixa esse conteúdo menos ácido. É por isso que ele funciona tão bem para queimação: o material continua subindo, mas queima menos. Faz sentido e resolve a vida de muita gente.
O que ele não faz: não devolve competência à válvula, não reduz o volume que reflui e não corrige hérnia de hiato. Por isso alguns sintomas quase não respondem à medicação, principalmente a regurgitação, que é o conteúdo chegando à boca ou à garganta.
Sinais de que o caso deixou de ser só clínico
- Dependência contínua. Sintoma que volta sempre que a medicação é suspensa, ano após ano.
- Dose que só cresce para manter o mesmo controle.
- Regurgitação importante, que é sintoma mecânico e responde mal ao remédio.
- Esofagite comprovada em endoscopia, sobretudo se persistir mesmo em tratamento.
- Esôfago de Barrett, que é a alteração da mucosa pela agressão crônica e exige acompanhamento.
- Estenose péptica, o estreitamento do esôfago por refluxo crônico, com dificuldade de engolir.
- Sintomas fora do esôfago: tosse crônica, rouquidão, pigarro constante, asma de difícil controle e desgaste do esmalte dentário.
- Hérnia de hiato volumosa, em que a anatomia por si só já sustenta a indicação.
- Preferência informada de quem não quer depender de medicação por décadas e entende os prós e contras.
Os exames que definem a conduta
Cirurgia de refluxo não se indica pelo sintoma isolado. Antes existe um roteiro objetivo:
Endoscopia digestiva alta. Mostra esofagite, hérnia de hiato, Barrett e afasta outras causas.
pHmetria de 24 horas. Prova que existe refluxo ácido patológico e mede quanto. É o exame que confirma o diagnóstico quando a endoscopia é normal, o que acontece com frequência.
Manometria esofágica. Avalia se o esôfago tem força de contração adequada. Esse exame não confirma refluxo: ele define a técnica. Um esôfago com motilidade fraca pede uma válvula diferente, sob risco de a pessoa sair da cirurgia com dificuldade para engolir.
Quem indica cirurgia de refluxo sem manometria está escolhendo a técnica no escuro.
Como é a cirurgia
A operação tem duas partes que quase sempre andam juntas. A hiatoplastia corrige o alargamento do hiato, que é a passagem do esôfago pelo diafragma, e reposiciona o estômago no abdome. A fundoplicatura usa o próprio fundo do estômago para construir uma válvula em volta do esôfago.
O quanto essa válvula envolve o esôfago é decidido conforme a manometria. Nada é implantado: a válvula é feita com o tecido do próprio paciente.
É feita por videolaparoscopia ou por via robótica, com pequenas incisões. A visão ampliada e a precisão de sutura pesam a favor da robótica em hérnias de hiato maiores e em reoperações.
O que esperar depois
A internação costuma ser de um a dois dias. A dieta progride em fases, começando líquida e evoluindo para pastosa e depois sólida ao longo das primeiras semanas, com orientação a cada etapa.
É esperado, nas primeiras semanas, sentir alguma dificuldade para engolir alimentos sólidos e ter mais dificuldade para arrotar. A maioria das pessoas relata melhora progressiva desses dois pontos. O retorno às atividades acontece entre quinze e trinta dias, e o acompanhamento é de longo prazo.
Perguntas rápidas
Vou parar o remédio? Boa parte dos pacientes bem selecionados reduz ou suspende. Não é regra para todo mundo, e é por isso que a seleção com exames importa tanto.
A cirurgia é reversível? A fundoplicatura pode ser desfeita ou refeita, mas reoperação é sempre mais complexa que a primeira cirurgia. É mais um motivo para acertar a indicação e a técnica de saída.
Tomar remédio por muitos anos faz mal? O uso crônico é seguro para a maioria, e existem discussões na literatura sobre efeitos de longo prazo. Isso entra na conversa, mas raramente é o argumento principal: o argumento é o controle insuficiente ou a complicação.
Detalhes de indicação, técnica e recuperação estão na página de cirurgia de refluxo e hérnia de hiato.

Quer saber se o seu caso tem indicação?
A equipe analisa cada solicitação e responde pelo WhatsApp com os próximos passos. O atendimento é exclusivamente particular.
Avaliar meu casoOu fale direto no WhatsApp